Pode ser tentador cumprir uma meta diária de páginas, consumir um livro por semana ou aprender leitura dinâmica, mas o que você realmente aprende ao ler um livro? Qual a mensagem principal que você leva para sua vida? 

 

Franz Kafka já recomendava que “apenas deveríamos ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para que lê-lo?”

 

A ridícula ideia de nunca mais te ver, de Rosa Montero, é um desses livros que nos mordem. Ao abordar a história da cientista Marie Curie e de sua própria  história, a autora nos leva a encarar as dores do luto e uma sociedade patriarcal que ainda persiste nos dias de hoje. 

 

Numa linguagem próxima, a jornalista e escritora espanhola usa hashtags para destacar outros temas como #ambição #infância #intimidade #lugardohomem #lugardamulher que surgem ao longo de sua obra. 

 

O livro fez parte de um dos clubes de leitura que a VRS Academy realiza nas empresas, e vamos compartilhar aqui 3 principais aprendizados dele:


 

1. NOSSAS HISTÓRIAS SE CONECTAM

Quando Rosa Montero, enfrentando o luto por seu companheiro Pablo Lizcano, leu o diário que Marie Curie escreveu após a morte de seu marido Pierre, se reconheceu nele através da sua própria história. 

 

A narrativa entrelaça a vida dessas duas mulheres e nos faz refletir como histórias de épocas distintas podem se conectar tanto. Pierre foi atropelado por uma charrete nas ruas de Paris em 1906, e Pablo enfrentou um câncer até 2009, quando não mais resistiu. 

 

Em ambas as perdas, a dor atravessa essas mulheres e encontra conforto na escrita, pois Marie escreve durante um ano inteiro após seu marido partir, o que inspirou Rosa a escrever esse livro e lidar com a sua própria dor. O diário de Marie Curie é descrito no apêndice do livro.

 

Vale pensar que as histórias delas também se conectam com quem lê o livro, pois diante de tantos assuntos como #independência, #culpa, #felicidade,#honrarospais e #insegurança, é quase impossível não se identificar com algum deles. 


 

2) PRECISAMOS LIDAR COM A PERDA

Um misto de dor e saudade invade as páginas logo no início, quando Rosa Montero percebe que “A verdadeira dor é indizível. Se você consegue falar a respeito das suas angústias, está com sorte: significa que não é nada tão importante. Porque quando a dor cai sobre você sem paliativos, a primeira coisa que ela lhe arranca é a #palavra.”. 

 

De fato, a autora cita poucas vezes a morte do marido, como se elaborasse a perda através da história de outra mulher que compartilhou o mesmo sofrimento. 

 

O título já demonstra a dificuldade de lidar com a morte, pois, para a psicanalista Maria Homem, a ideia de "nunca mais te ver" é realmente ridícula, uma vez que é impossível deixar de ver alguém que se ama, mesmo depois de sua partida. Ela permanece, "simbolicamente e imaginariamente, pra sempre". 

 

Neste vídeo, Maria Homem comenta sobre o livro e observa como a morte dos parceiros de Rosa Montero e Marie Curie provoca a morte de uma parte delas também. 


 

3) A FORÇA DO FEMINISMO

Além do luto, outro tema é relatado com a mesma intensidade na obra: o feminismo. 

 

Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel e a única pessoa a ganhar em várias ciências. No entanto, sua luta foi incessante: seja no ambiente acadêmico, no trabalho, na sociedade de um modo geral - o tempo todo ela era colocada à prova.

 

Duvidaram de sua capacidade, criticaram sua postura, seus relacionamentos, e tudo isso enquanto ela tentava dividir o tempo entre ser mãe, esposa, cientista, e enfim, mulher. 

 

Até mesmo depois da morte de seu esposo, a autora que descreve que "Havia cientistas que tinham ciúme do seu sucesso, e sua condição de mulher continuava incomodando muita gente. Assim, não apenas começaram a dizer que sem o marido ela não fazia nada notável, como também tentaram minimizar sua importância no passado e sua contribuição para a descoberta do rádio.”

 

Você percebe que isso é fruto de uma sociedade machista quando se pergunta - isso aconteceria se ela fosse um homem? Provavelmente não. 

 

A cientista viveu entre 1867 e 1934, e infelizmente ainda hoje, quase 100 anos após sua morte, ainda encontramos situações semelhantes, como a desigualdade salarial de gênero, os desafios da maternidade e a violência contra a mulher, só para dizer alguns dos muitos desafios de ser mulher. 

 

O feminismo então é uma bandeira que o livro levanta, como fonte para encontrarmos no passado, a força e resistência de mulheres emblemáticas como Marie Curie. 


 

GOSTOU DO LIVRO? APRENDA MAIS.  

Se você se interessou pelo livro e quer aprender mais sobre ele além de lê-lo, selecionamos alguns conteúdos para te ajudar nessa jornada:

 

  • Assista ao filme Radioactive: movida por uma mente brilhante e uma grande paixão, Marie Curie embarca em uma jornada científica com o marido, Pierre. Suas descobertas vão mudar o mundo.

 

  • Ouça o podcast Quarta Capa: a produção da editora Todavia comenta sobre a importância de falar sobre o luto, e também indica livros que combinam com "A ridícula ideia de nunca mais te ver".

 

  • Confira a live da VRS Academy: feminismo, ciência e luto fazem parte de um bate-papo entre a idealizadora da VRS Academy, Vivi Rio Stella, e a facilitadora literária Clarissa Santos, a partir da leitura da obra. 


 

Livros como este fazem parte da curadoria dos clubes de leitura da VRS Academy. Uma experiência na qual cada participante vota no livro que mais chamou sua atenção, aprende em grupo através de encontros dialogados, recebe mimos de leitura e conteúdos adicionais que ampliam seu aprendizado. 


Fale conosco para conhecer os títulos que indicamos e levar essa ideia para seu grupo ou empresa.


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