Aprender é escrever sua própria história

O que você quer aprender? Sempre tive muitos interesses na vida e me incomoda pensar que temos que escolher apenas uma delas pra seguir. Por isso escolhi ser uma eterna aprendiz ao longo da vida e enxergar minha multipotencialidade com olhos de encantamento, não mais como indecisão. 

 

Lembro que escolher a faculdade foi um primeiro desafio da vida adulta sobre o que queria aprender. Ainda tenho guardada uma lista que escrevi com várias opções, entre elas estavam Jornalismo, Psicologia, Arquitetura, Paisagismo, Artes Plásticas e Publicidade. As duas últimas opções me despertavam mais a atenção.

 

Caçula de 4 filhas, o que eu ganhava como vendedora no shopping não cobria a mensalidade, mas estudar em um cursinho pré vestibular e tentar o PROUNI parecia uma opção viável. Depois de algumas tentativas, consegui a bolsa em Comunicação Social! 

 

Essa área me abriu diferentes experiências de trabalho: estagiei numa agência de publicidade, trabalhei no Marketing de uma indústria de joias e depois como consultora de Vendas de intercâmbio, onde parei pra refletir se estava no caminho certo. 

 

Naquele momento, participar de um processo de coaching com a Renata Lapetina fez toda a diferença, pois pude mapear minhas paixões e interesses, e começar a colocar energia naquilo que fazia mais sentido pra mim. 

 

Um exercício interessante que fiz e recomendo você também, é criar um quadro com todas as coisas que você gostaria de fazer/aprender na vida (sim, todas!), e deixá-lo em um local bem visível para se lembrar.

 

Ao colocar tudo isso no papel, dividi em 3 colunas para facilitar: 

  1. Coisas a Aprender
  2. Projetos a Realizar 
  3. Lugares a Conhecer

Escrevi quase 60 itens, e fico feliz em dizer que já consegui realizar 17 deles! No momento estou trabalhando em outros 4 objetivos - um deles é aprender a nadar :)

 

A sensação de ver um objetivo realizado é muito boa! Tanto que criei uma 4° coluna final entitulada “Eu consegui!” para me lembrar que consigo realizar o que me disponho a aprender. 

 

Esse exercício me abriu os olhos para a Escrita, algo que sempre me identifiquei, mas que por algum motivo nunca havia me aberto para isso. Cadernos se acumulavam em gavetas com anos de histórias pra contar, e eu sem divulgar nenhum texto. 

 

Tomei coragem, me inscrevi num curso de Escrita Afetuosa com a escritora Ana Holanda, que me serviu de trampolim para criar um blog chamado “Tudo que Somos”, simbolizando todas as nossas possibilidades e tudo que gostaria de aprender na vida. Publiquei alguns textos, e com o passar do tempo percebi que gerenciar o blog se tornou um pouco desgastante, mas tudo bem. Ele foi o pontapé inicial que eu precisava para destravar a escrita. 

 

Eu queria estar em contato diário com assuntos diferentes, então fiz novamente uma lista, desta vez de lugares onde eu gostaria de trabalhar. Enviei um e-mail para a Casa do Saber, lugar que sempre admirei por sua diversidade e profundidade de temas como Filosofia, Psicanálise, Arte, História e Negócios. 

 

Fui chamada para tomar um café (outra coisa que amo aprender sobre! rs), e fiquei. Comecei a trabalhar na área comercial, atendendo empresas que queriam levar esse conteúdo para os seus colaboradores. Em um dos projetos, conheci o trabalho da Vivian Rio Stella, voltado à Comunicação e ao Lifelong Learning (aprendizado ao longo da vida), logo me identifiquei. 

 

Passei a acompanhar seus cursos na Casa, entre eles “O Poder das Vozes Femininas” no qual ouvi uma frase que ressoou em mim:

“Quando você duvida do seu poder, você dá poder à sua dúvida”

 Honoré de Balzac 

 

O que eu duvidava em mim? O que eu queria aprender ou desenvolver, mas estava postergando? Essa reflexão me acompanhou desde o fim do curso e início da pandemia, momento que mudaria nossas vidas. 

 

Do ambiente presencial ao home office desde o dia do meu aniversário, 17 de março, continuei trabalhando, mas com o tempo livre sem o transporte público, passei a fazer vários cursos e a ler mais do que antes. As mudanças, a incerteza, o silêncio em casa me permitiram pensar mais no que eu realmente queria - e o que estava fazendo para isso. 

 

Acredito que a escrita sempre foi o melhor lugar em mim. Sentia isso ao escrever nos meus cadernos, no blog, até em cartões de aniversário. Eu queria compartilhar com as pessoas e usar meu tempo para fazer disso o meu trabalho. Afinal, quando escrevo, entro em um estado de flow, nem percebo a hora passar. 

 

Outra querida professora que também conheci na Casa do Saber, Annie Dymetman, em uma das nossas conversas maravilhosas por telefone, me convidou para participar de um blog que ela criava, chamado “Cartografias Subjetivas”. Passei a escrever com mais frequência, junto com outros colegas escritores, e a ver o que escrevia com mais gentileza e autenticidade. Em cada parágrafo, eu estava aprendendo com minha própria história, como estou fazendo aqui hoje com você.

 

Agora conectada aos meus interesses sobre Escrita, Comunicação, Oratória & cia, um belo dia li um post da Vivian convidando a participar da Jornada “Faça sua voz ser ouvida”, o nome me pareceu estimulante e adequado àquele momento. Corri pra me inscrever. 

 

Ao longo das semanas e com meu caderno na mão, os encontros online no Zoom com o grupo eram, na verdade, encontros comigo mesma e com minha voz interior, como propunha a jornada. Desafios, exercícios e perguntas do jogo Go Minimal, como cito abaixo, foram algumas ferramentas que me fizeram refletir sobre a Thaís comunicadora, independente de onde trabalho: 

  • Se você tivesse que explicar isso a uma criança, como faria?
  • O que poderia ser feito com apenas aquilo que se tem agora?
  • Qual parte exige menos esforço para começar?

 

Percorrer essa jornada foi fundamental para aprimorar meu autoconhecimento e sintonizar o que eu queria fazer e aprender a partir de então. Passei a fazer parte da Confraria do Saber, da Vrs Academy, para aprender todo mês algum assunto diferente. Lá conheci a Clarissa Santos, que acabava de criar o Clube “Ler para Ser”, espaço onde comecei a ampliar meu repertório de leitura e a discutir com outras pessoas sobre os livros, aprendendo muito mais do que se tivesse apenas lido sozinha. 

 

E de lá para cá tenho aprendido muito através de diferentes experiências, como cursos, encontros online, clubes, leituras, áudios, vídeos, séries, filmes, voluntariado e outras coisas que formariam minha última lista nesse texto, que agora escrevo já como criadora de conteúdo da VRS Academy! 

 

Mas afinal, o que há em comum em todas essas experiências de aprendizado? 

 

A alegria em aprender, se desenvolver, se conectar com as pessoas. Perceber que há muito a descobrir ainda, e que uma vida não será suficiente. Entender que tudo que você aprendeu até hoje pode ser útil em algum momento. Que os aprendizados se complementam. E que ouvir atentamente o que você quer aprender, é um caminho para escrever a sua própria história. 

 

E você, que outros aprendizados leva com esse texto? O que você gostaria de aprender este ano? Adoraria ouvir o que você tem a escrever. 

 

 

. Artigo originalmente publicado por Thaís Gurgel no LinkedIn em janeiro de 2021.


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