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Faz 20 anos que Júlia terminou a faculdade. E nunca mais parou de estudar. Já perdeu a conta de quantos livros leu, mas a pilha de títulos só aumenta. Não, ela não resiste a ir a uma livraria, acessar o app de livros no celular e encher a biblioteca de mais futuras leituras.

 

Dos perfis que segue no instagram, muitos são de escolas de cursos, podcasts, palestrantes e escritores que admira. O novo corte do momento ou a roupa da moda ela vê nas andanças pelas ruas, observando as mulheres que vêm e vão. Seus dedos escorregam pela tela do celular ou pelo teclado para escolher o que quer aprender. Assim como a lista de livros, a de temas que a interessam é imensa.

 

Já fez amigos em cursos que escolheu fazer, troca mensagens com professores que ela segue no Linkedin, até café com uma deles tomou pra trocar ideias. Mas quer ver Júlia frustrada ou desanimada é quando vai a cursos que a empresa onde trabalha escolhe por ela. Não porque os professores não sejam competentes, muitos deles são renomados em suas áreas, mas a sensação é de que a hora não passa, que os slides são infinitos. Tem momentos em que pensa: poderia ter lido o livro ou ouvido um podcast sobre esse tema, antes de estar aqui. Nesse momento cara a cara com o professor, todos ali poderiam trocar experiências, conhecimentos, fontes diversas para, juntos, construírem um saber que só ocorre naquele calor humano. E por que será que alguém determinava os cursos que cada um deveria fazer para se desenvolver, sem autonomia, replicando um modelo da escola e da faculdade?

 

Um dia, tomou coragem, marcou uma reunião com Sandra, que, junto com mais quatro pessoas, monta a agenda de cursos da empresa. Ao ouvir as sugestões de Julia, Sandra agradeceu e disse, com convicção: temos mapeamento de competência, indicadores para mensurar a aprendizagem e, mais do que isso, temos que padronizar a entrega, a novidade deste ano é que estamos migrando muitos temas para o online, para conteúdos flipados, pra justamente otimizar o tempo de todos e agilizar a aprendizagem”.

 

Júlia achou que Sandra estava com um slide diante dos olhos para falar de forma tão técnica sobre algo tão essencial ao ser humano: aprender com significado, de forma leve e, ao mesmo tempo, profunda.

 

Voltou aos seus podcasts, grupos de aprendizado e continua torcendo para não receber um convite pra fazer curso nenhum pela empresa.

 

Júlia é apenas uma de tantas “Júlias” na multidão. Que será que “Sandras” poderiam fazer diferente? Quarta-feira que vem, te conto o que Sandra ficou pensando depois dessa conversa com Júlia.

 


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