DIA MUNDIAL DA CRIATIVIDADE

Participei como voluntária do Dia Mundial da Criatividade este ano. Foram dias intensos de trabalho e aprendizado que geraram bons insights pra compartilhar com você.

 

Na semana seguinte ao WCD (World Creativity Day), tivemos uma conversa online com voluntários e inspiradores (assim chamados quem realiza atividades no evento), de Jundiaí, no qual a Vivian Rio Stella, idealizadora da VRS Academy foi líder local. 

 

Compartilhamos como foi para cada um participar do evento, e pensamos em novas ideias que podem surgir a partir daí. Uma frase em especial chamou a atenção de todos no final da conversa

 

Cristiane Magalhães, que criou este post incrível com alguns vídeos do evento, comentou que nesse tempo que as ideias são tão disseminadas, espalhadas, seria importante "polinizar" ideias e não apenas "pulverizar". 


Polinizar. 

 

Pesquisando no dicionário você vai encontrar algo como transportar o grão de pólen que vai ajudar a brotar novas flores em outros lugares, o que pode ser feito naturalmente através do vento, da água, dos animais ou realizado intencionalmente pelas pessoas. 

 

Ou seja, para termos mais campos floridos, não podemos apenas esperar o tempo passar, o vento bater, a água levar… precisamos antes, nós mesmos, preparar o terreno e carregar as sementes. 

 

Participar do WCD em 2021 foi resultado de uma semente plantada em 2019. Durante meu processo de Coaching, soube que a ONU (Organização das Nações Unidas) havia estabelecido o dia 21 de abril como o dia mundial da criatividade e inovação, e que existia um evento sobre isso. Logo pensei: Uau! Participar seria incrível. Mas como? O que eu faria? 

 

Na época meu trabalho era bem operacional com pouco espaço para ser criativa, então deixei para outra oportunidade. Depois de terminar o coaching, mudei de emprego, mas veio a pandemia em 2020 e esse chamado para uma vida mais criativa começou a falar alto dentro de mim. 

 

Comecei a ler O Caminho do Artista” de Julia Cameron. Com exercícios semanais, o livro se mostrou realmente uma bíblia da criatividade, como a capa entrega. 

Eu poderia escrever um texto só falando desse livro (fica como ideia), mas por enquanto vou compartilhar um exercício prático que me ajudou a romper bloqueios criativos.

 

A autora recomenda que logo ao acordar, você escreva à mão 3 páginas, que ela chama de “páginas matinais”: a ideia é tirar pensamentos da sua cabeça e colocar no papel, abrindo espaço para a criatividade fluir e trazer clareza ao que você deseja. 

 

Funcionou comigo. Ao ler minhas páginas matinais eu sabia qual o próximo passo. Saí do antigo trabalho e comecei a me dedicar mais à escrita, algo que sempre quis fazer. 

 

Tempos depois comecei a trabalhar na criação de conteúdo para a @VRS Academy, que se tornou líder local do WCD em Jundiaí. Pronto! A vida deu muitas voltas, mas a oportunidade de participar do Dia Mundial da Criatividade chegou mais perto do que eu imaginava. 

 

É incrível como tudo que a gente vive se conecta em algum momento do caminho. Falei sobre isso neste texto. E agora estou escrevendo pra você sobre o que aprendi com o maior festival de criatividade do mundo.

 

Acredito que criatividade tem a ver com combinar ideias, a tal da “combinatividade” como diria Murilo Gun. Então nada melhor do que combinar ideias entre as pessoas, valorizando o repertório de cada um. Como vou fazer aqui, te contando um pouco das ideias que cada um polinizou durante o evento. 

 

Você pode ver neste link os vídeos do Dia Mundial da Criatividade em Jundiaí, ou clicar nos temas de seu interesse que aparecem a seguir.


 

Ideias polinizadas no WCD em Jundiaí

 

 

Nos bastidores, alinhamos quem poderia mediar cada atividade. Seriam vídeos gravados ou lives que durariam entre 15 e 30 minutos. Mesmo sem muita experiência em mediação, me propus a mediar duas lives: uma em cada dia do evento. 

 

Na primeira, com Eduardo Estellita falando sobre Branquitude e antirracismo: do discurso performático à ação aliada. Senti que o tempo passou rápido para um assunto tão necessário e urgente. Conversando com ele comecei a pensar mais sobre tudo o que eu não tive que passar na vida - uma maneira de refletir sobre privilégios.

 

Na segunda live, mediei Cristiane Magalhães no tema Criatividade, Autenticidade e Flexibilidade. Engraçado pensar que tínhamos um roteiro como base, porém fiquei mais à vontade quando me permiti ouvir com atenção o que a Cris dizia, e não apenas pensar na próxima pergunta a fazer. Cris estava fora de casa, adaptou os equipamentos para participar, mas durante o encontro também se permitiu relaxar em meio às nossas vulnerabilidades e ao que estava fora do nosso controle. 

 

Mas engraçado mesmo foi a live do Álvaro Lages sobre Desbloqueio Criativo, em que Cris foi mediadora. O dia começou mais leve assistindo o encontro deles. Álvaro improvisa com música, com os comentários, com e-mails - tudo que pode ser sério ou tranquilo, ele transforma em divertido com seu toque criativo!

 

Quem também improvisa é a Fátima Affonso, que gravou o vídeo sobre A Poesia como Facilitação e Inspiração. Imagine que curioso seria, se ao terminar um evento ou reunião de trabalho, ao invés de uma ata ou relatório, você recebesse um poema contando tudo que aconteceu naquele momento, capaz de captar as emoções das pessoas e fazer elas se reconhecerem ao ler. É isso que a Fátima faz, ela é facilitadora poética. 

 

A Luciana S. Correa também gravou um vídeo para o evento. O tema? #madurosdoséculo21: lifelong learning a serviço do envelhecimento bem-sucedido. Uma boa reflexão sobre como é importante manter-se uma pessoa “aprendizável” em qualquer idade da vida. 

 

Como voluntária, Lu mediou o papo sobre Consumo consciente como um manifesto, com Camila Bellacosa. Depois do evento, Camila fez uma live com a voluntária e psicóloga Ana Maria Bicalho Perrucci, que assim como Lu, também trabalha com Longevidade.

 

Como o WCD foi online, nem todas as pessoas que participaram moravam em Jundiaí, o que expande nossas fronteiras e permite a conexão entre diferentes pessoas e lugares. 

 

Independente de onde você resida, vale assistir o vídeo Jundiaí - Cidade das crianças no qual seu gestor cultural, Marcelo Peroni, compartilha projetos que tem realizado no município com a colaboração de seus moradores mirins. Uma forma criativa e colaborativa de fazer gestão.

 

Além das crianças, quem adora uma festa é Lílian Ruas! Ela fez disso o seu negócio de vida, como conta cheia de energia no vídeo Tenho preguiça de ser comum.

 

Algo nada comum é o que Gisele Moraes de Souza faz ao convidar a todos a A-COR-DAR: Liberando o potencial criativo, através da sua sensibilidade e intuição. Como buscar novos caminhos criativos através das sensações? Do que você vê, ouve, sente?   

 

Annelise Estrella registraria tudo isso que escrevo aqui em fotos para encontrar seu Punctum: narrativas através de fotografias. Ela propõe que você olhe para uma foto que goste e tente encontrar o que te punge, qual é o ponto que mais te chama a atenção nela. O que se mostra além do óbvio na imagem?

 

Há muitas formas criativas de se interpretar uma imagem ou uma narrativa. O sociólogo Samuel Vidilli por exemplo, vê A história da criatividade através de um contexto histórico, mas também traz um olhar atual sobre essa habilidade nas empresas. Será que as empresas estão prontas para ter colaboradores criativos ou é só um discurso bonito, mas pouco praticado?

 

Keite Pacheco questiona essas tão aclamadas habilidades do futuro, pulverizadas por relatórios como os do Fórum Econômico Mundial, que de tempos em tempos renovam a lista de soft skills desejadas pelo mercado. Afinal, o futuro do trabalho depende de cada um de nós? 

 

Quem já falava sobre futuro antes da pandemia era a Cintia Menegazzo, e agora mais do que nunca ensina as empresas sobre Gestão Remota de A a Z

 

Para fechar as falas inspiradoras do evento, Vívian Rio Stella levou ao palco principal do evento o tema Aprendizado para a vida: do indivíduo para ações integradas, destacando como é importante se conectar com pessoas e projetos diferentes para sermos realmente criativos e sair da nossa bolha.

 

E por falar em como tudo se conecta, enquanto terminava este texto, tivemos um encontro online com o grupo do WCD, e Gisele Moraes de Souza, ou Gisa Souza, como também é chamada, citou justamente o livro O Caminho do Artista, neste belíssimo trecho: 

 

 

Não é incrível como tudo está conectado, e como um grupo criativo é capaz de atrair outras ideias criativas? 

 

Aprendemos muito uns com os outros neste curto período desde o evento WCD em abril. Mas gostaria de deixar registrado aqui os 5 maiores aprendizados que tive ou que foram reforçados durante esse período criativo:


 

5 maiores aprendizados com o Dia Mundial da Criatividade

 

  1. Somos todos criativos. Não importa em qual área você atue, há sempre um olhar criativo sobre ela. A maior prova é que reunimos todas esses temas no maior evento de Criatividade do mundo: Diversidade, Comunicação, Poesia, Longevidade, Consumo, Gestão Pública e Privada, Festas, Intuição, Fotografia, História, Trabalho, Escrita, Aprendizagem. 

 

  1. Trabalhe de forma colaborativa. Eu não teria conhecido o trabalho de algumas pessoas se não estivéssemos juntas neste evento, e achei muito interessante o movimento que cada um tem feito no grupo de se conectar entre si. Quanto mais ideias combinarmos, maiores as chances de novas ideias surgirem. 

 

  1. Arrisque. Deixe de lado o receio de fazer o que nunca fez. Eu não tinha muita ideia de como seria mediar as lives mas mesmo assim me arrisquei, e foi uma ótima experiência! Como você vai descobrir  uma nova habilidade se não se arriscar a tentar?

 

  1. Leve um tempo para refletir. Este texto nasce um mês depois do evento. O primeiro rascunho surgiu há dias mas não consegui finalizá-lo. Deixei de lado, fiz outros trabalhos, descansei e hoje pude terminar. É importante respeitar o tempo para maturar as ideias e gerar novos insights. Ócio criativo que fala, né? 

 

  1. Coloque sua ideia em ação. Criar um projeto, desenvolver um curso, convidar alguém para um café, escrever um texto. Qual a melhor forma de você colocar no mundo o que aprendeu? 

 

Se tivesse um 6° item aqui eu diria que não precisamos aguardar um dia do ano ou um evento especial para sermos capazes de criar. Somos humanos e naturalmente criamos. Basta se atentar a isso e não seguir apenas no automático.

 

Acredito que muitas ideias e aprendizados ainda serão colhidas depois de muito tempo desse evento. E isso é ótimo. O importante é seguir polinizando ideias, como diria a Cris.

 

 

Texto escrito por Thaís Gurgel, publicado no LinkedIn em maio de 2021.


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