O Mamoeiro Tarsila do Amaral

Romper padrões e experimentar novas formas de se expressar faz parte do movimento modernista e tem tudo a ver com processos de aprendizagem.

 

A celebração de 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922, amplamente abordada na imprensa nas últimas semanas, recorda a importância do evento na cultura nacional não apenas como produção artística, mas também como uma forma mais livre de aprender e criar.   

 

E o que é lifelong learning que tanto falamos aqui na VRS Academy, senão a educação continuada, através de uma postura aberta para novos conhecimentos e abordagens? 

 

Neste texto, você vai entender o que o Modernismo nos ensina sobre Aprendizagem, e como você pode se inspirar nesse movimento para aprender ao longo da vida. 


 

A famosa Semana de 22

 

O Modernismo buscava desconstruir sistemas estéticos tradicionais, como o Parnasianismo, marcado pela linguagem clássica, culta e rebuscada. Na História, é natural um movimento artístico reagir ao anterior, mas o que a Semana de Arte Moderna de 22 fez no Brasil além de trazer novas vozes ao cenário cultural, foi criar um marco histórico, pois 100 anos depois ainda é foco de reflexão. 

 

A famosa Semana de 22 aconteceu entre 13 e 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo, com uma programação intensa de diversas expressões artísticas, entre elas pintura, literatura e música (o tipo de evento cultural que um lifelong learner iria se interessar, movido pela curiosidade em diversas áreas do saber).

 

As obras apresentaram uma renovação de linguagem, apoiada na experimentação de novas ideias e conceitos, como a poesia declamada, concertos de música, desenhos e quadros arrojados e inusitados para a época. 

 

A estudante, 1915-16, Anita Malfatti.

 

Em outras palavras, a Semana de Arte Moderna agitou as ruas da cidade de São Paulo, que até então era bem monótona, e também chocou parte da população e da imprensa. 

Um exemplo desse choque foi a chuva de vaias da plateia com a leitura do poema “Os Sapos” de Manuel Bandeira, que criticava e ironizava o parnasianismo. A sessão até precisou ser interrompida devido os ânimos exaltados do público.  

Outro caso emblemático foi o comentário de Monteiro Lobato, futuro autor do Sítio do Picapau Amarelo, sobre os quadros de Anita Malfatti “que ornam as paredes internas dos manicômios”, referindo-se à sua obra como uma “arte anormal”. 

Talvez haja mesmo um pouco de loucura e anormalidade nas obras de Anita. O que Lobato deveria lembrar, sendo escritor, é que a palavra “normal” refere-se àquilo que segue a norma, a regra, é regular. E essas denominações, realmente, não combinam com o universo de artistas modernistas. 


 

Grupo dos Cinco: Aprendendo juntos

 

Anita Malfatti junto a Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia formavam o “Grupo dos Cinco”, estando à frente do movimento modernista. 

 

Anita Malfatti, Mário de Andrade, Menotti del Picchia,  Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.

 

Muitos outros artistas como Víctor Brecheret, Guilherme de Almeida, Heitor Villa-Lobos e Di Cavalcanti, fizeram parte do Modernismo. E é interessante pensar que apesar da maior parte do trabalho de um artista ser algo individual e por vezes solitário (como desenhar, pintar, esculpir e escrever), esse grupo de artistas se alimentava criativamente uns com os outros, através da troca de experiências e conversas sobre arte. 

 

Na exposição "Era uma vez o moderno" em cartaz até 29 de maio no Centro Cultural FIESP, há diversos objetos pessoais deles, como cartas, diários e outros escritos. Destaque para as cartas trocadas entre vários artistas, como modo de cultivar suas relações e manterem-se informados sobre seus trabalhos. 

 

No espaço, há ainda projeções audiovisuais em tamanho real, com atores interpretando o Grupo dos Cinco - uma experiência única para imaginar eles à sua frente. Visitamos a exposição e compartilhamos aqui um link especial com mais informações pra você.


 

O Turista Aprendiz

 

Além da troca em grupo, vale ressaltar a importância da bagagem cultural que cada artista trazia consigo. De fato eram intelectuais, tiveram acesso à educação de qualidade e a maioria já havia viajado ao exterior (Tarsila por exemplo, não esteve presente na Semana de 22, pois estava em Paris). Isso tudo contribui para sua formação e visão de mundo. 

 

Mário de Andrade, por exemplo, até escreveu um livro com seus relatos de viagem pelo Brasil. “O turista aprendiz” é um diário de bordo marcado pela informalidade e humor, que registra as experiências e aprendizados do autor pelo país. 

 

O Turista Aprendiz, Mário de Andrade.

 

Inclusive trazer elementos nacionais era fruto dos ideais modernistas, como também pode-se notar nas cores e temas dos quadros de Tarsila, no “Manifesto Antropófago” de Oswald ou no poema “Juca Mulato” de Menotti

 

Numa época sem internet e redes sociais, viajar pelo mundo e comunicar-se por cartas era o modo lifelong learning de continuar aprendendo. 

 


 

Aprenda mais sobre o Modernismo Brasileiro 

 

A Semana de 22 é tema da Confraria do Saber, nossa comunidade de aprendizagem mensal. Além do encontro ao vivo na última terça do mês, o grupo recebe o “Menu de saberes” - uma degustação de conteúdos para ampliar o olhar para o tema. 

 

Lá você encontra uma curadoria especial sobre o tema, como outras exposições, livros e até lançamento de filmes como Tarsilinha (em breve nos cinemas).

 

Enquanto isso, que tal aprender mais sobre o Modernismo Brasileiro com um grupo de pessoas curiosas e abertas para o novo? 

 

Os "100 anos da Semana de Arte Moderna de 22 - Legados e Aprendizados" é tema da Confraria do Saber neste mês de fevereiro. Relembre o que aconteceu nessa marcante semana, principais artistas envolvidos, papel das mulheres nesse movimento, impactos e repercussão à época e até os dias de hoje. 

 

Terça-feira, dia 22/02/21 das 19h às 21h, online, pelo Zoom. Com facilitação de Matheus Cury Vieira, formado em História e Filosofia pela USP.

 

Nosso convite pra você experimentar algo diferente, como fariam os modernistas. 

Para participar, inscreva-se aqui.


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