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Sente sobre os ísquios. Abra as escápulas no cachorro olhando para baixo. Vamos fazer o Virabhadrasana ou guerreiro 3. Quem quiser pode relaxar na sirshasana. Hora da savasana. Essa sequência de termos, numa aula de yoga para uma iniciante, é praticamente um novo idioma. Quanto mais reproduzir esses movimentos, sem dar aquela espiada pro lado ou procurando inspirar e expirar conforme orientado pela instrutora, sem muito sucesso.

Pois é, abrir-se a novas experiências, aprender algo novo não é das tarefas mais fáceis como pode parecer. Especialmente por uma quase sutil barreira: os termos técnicos tão próprios de cada prática ou área do saber.

E, durante minha segunda aula de yoga, a cada sirshasana eu me desconcentrava e pensava: que termos eu mesma tenho usado em minhas explicações como se fossem algo natural e parte do vocabulário das pessoas? Que pressupostos eu assumo quando uma pessoa vem para uma aula sobre comunicação que se parecem com os pressupostos de quem dá aula de yoga para uma turma mista, em que há experts e iniciantes?

 Depois de muitos movimentos, desafios em cada posição, suor, espiada na posição que a professora explicava, chegou o delicioso momento de savasana. Traduzindo: hora do relaxamento, para você se conectar com seu corpo, como ele pulsa depois de toda a prática. E meu pensamento, que já tinha ido para a comunicação, me leva para o aprendizado: quão importante é refletir depois de exercitar, sentir de forma presente e consciente os efeitos de uma prática. Isso vale tanto para a yoga quanto para qualquer aprendizado ao longo da vida.

Ao me sentar de novo, para finalizar a aula, lá estou entoando o mantra “shanti, shanti, shanti”, profundamente, sem nem saber que significava “paz, paz, paz”. Não pude deixar de perguntar para a professora o que queria dizer. E aos poucos vou me apropriando desse novo idioma, me permitindo me conectar comigo mesma e também aprender não só sobre a prática do yoga, mas sobre o aprendizado e a comunicação, áreas de atuação que pulsam em mim mesmo quando era para eu estar desconectada do trabalho. Namastê!

 

Texto por Vivi Rio Stella, eterna aprendiz, sempre atenta a como aprendemos nos mais diferentes momentos.


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